“Mulheres de Atenas” faz referência a aspectos da sociedade ateniense do período clássico e a alguns episódios e personagens da mitologia grega. A letra faz uma alusão aos famosos poemas épicos Ilíada e Odisséia, ambos atribuídos a Homero. Penélope, mulher de Ulisses, herói do poema Odisséia, viu seu marido ficar longe de casa por vinte anos, período em que ela se porta com dignidade e absoluta fidelidade; mas, por um lado, sua formosura, e, por outro, os bens familiares atraem a cobiça de pretendentes, que julgavam seu marido morto.
Ela lhes dizia que só escolheria o futuro marido após tecer uma mortalha, que, a bem da verdade, não fazia questão de terminar: passava o dia tecendo e, à noite às escondidas, desmanchava o trabalho realizado.
E enquanto seu marido se mantinha ausente, embora por tanto tempo sem notícia, ela
se vestia de longo, tecia longos bordados, ajoelhava-se, pedia e implorava para a deusa Atena que providenciasse o retorno de seu amado.
A letra em minha opinião reflete a submissão das minorias que são programadas para esperarem a sua vez, que só virá se viverem na mais completa submissão e obediência, independente de seus desejos, anseios e ambições.
Muitas vezes as pessoas tecem as suas próprias mortalhas em seus pensamentos quando buscam sua verdade interior, sua essência e sua independência. Mas quando chega a noite, guiadas pelas suas consciências infectadas pela sua educação e criação desmancham a mortalha e voltam a esperar pacientemente por uma existência que nunca virá pela distancia infindável entre suas convicções e sua realidade fabricada.
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